Molusco pode transmitir verminoses prejudiciais à saúde
Nesta época do ano, a
umidade causada pelo aumento das chuvas, facilita a proliferação do caramujo
africano em toda a região. Ativos no inverno e resistentes ao frio, esses
moluscos podem ser encontrados nas proximidades de rios e em terrenos baldios,
podendo transmitir algumas verminoses, sendo prejudiciais à saúde.
O Dr. Paulo Targa,
Veterinário da UVA (Unidade de Vigilância Ambiental de São Manuel), explica que
caso o caramujo seja encontrado, ele pode ser removido pelo próprio munícipe,
desde que este proteja as suas mãos com luvas ou com uma sacola plástica. Para
fazer o descarte do animal, deve-se colocá-lo em um balde com água e sabão em
pó, pois a substância mata o animal, e depois cavar um buraco fundo e enterrar
os moluscos.
“O próprio morador pode
fazer a limpeza e o descarte, mas estamos à disposição da comunidade para
orientar no em caso de dúvidas através do telefone 3841.4403”, diz Targa.
Sobre o Caramujo
Introduzido no país na
década de 1980, proveniente do nordeste da África, o molusco é dotado de alta
capacidade de reprodução e hoje se disseminou em 24 dos 26 estados brasileiros.
Os impactos para a
biodiversidade são evidentes, mas os riscos à saúde pública também preocupam. A
prevenção no contato com o animal e o controle das populações do caramujo são
fundamentais.
Apesar de serem
herbívoros, tem um apetite voraz, podendo alimentar-se de frutas, verduras,
hortaliças, papelão, plástico e até mesmo tinta de parede. Além disso, não
possui predador natural no Brasil, o que favoreceu sua rápida proliferação,
sendo atualmente considerado uma praga urbana. Embora pareçam inofensivos
trazem perigo eminente à saúde pública, podendo atingir 15 a 20 cm de altura,
10 a 12 cm de comprimento e pesar 200 gramas.
É um hospedeiro
intermediário de dois vermes que podem causar distintas doenças. Uma é a
angiostrongilíase abdominal, que provoca fortes dores abdominais, febre, perda
do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino,
hemorragias e em alguns casos, levar à morte. A outra doença é a meningite
eosinofílica, que ocorre quando o verme se aloja no sistema nervoso central do
paciente, provocando a inflamação das meninges (membranas que recobrem o
cérebro). Tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez da nuca e
distúrbios do sistema nervoso.
Os vermes podem ocorrer
tanto no interior dos caramujos, quanto no muco que eles secretam para se
locomover. Por isso a pessoa não deve pegar o caramujo sem proteger as mãos com
luvas ou sacos plásticos; higienizar frutas, verduras e hortaliças antes de
ingeri-las; não comer, não beber, não fumar e não levar a mão à boca durante o
manuseio do caramujo e conservar quintais e terrenos limpos, pois os caramujos
africanos gostam de ficar embaixo de folhas, de entulhos, em lugares úmidos ou
sem incidência de luz solar.
A introdução do molusco
aconteceu em 1996 quando alguns produtores goianos tentaram a formação de uma
cooperativa para criação de escargot, no entanto, não obtiveram êxito. O
insucesso comercial provocou desistência na criação e a soltura inadequada do
molusco no meio ambiente, facilitando sua disseminação.

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